Avó relembra morte de neto adolescente que teria se engasgado em clínica interditada em MG: 'Sempre ficou a dúvida'
Avó relembra morte de adolescente que teria se engasgado em clínica que foi interditada A avó de um adolescente de 15 anos, que morreu após ser internado na...
Avó relembra morte de adolescente que teria se engasgado em clínica que foi interditada A avó de um adolescente de 15 anos, que morreu após ser internado na clínica neuropsiquiátrica, que foi parcialmente interditada em Alfenas(MG), diz ter ficado chocada ao ver as imagens divulgadas após uma fiscalização que levou à interdição parcial do local. A família suspeita que o adolescente possa ter sido vítima de negligência dentro da instituição. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Na terça-feira (18), o espaço foi parcialmente interditado, depois que foram constatadas situações de maus-tratos e condições sanitárias inadequadas. Sete pessoas foram encaminhadas para os hospitais da região. Algumas delas estavam em quartos trancados com cadeado. Marli Martins de Lima e o neto que morreu após ser internado em clínica que foi interditada em Alfenas Arquivo pessoal e EPTV Em 2024, o neto da empresária Marli Martins de Lima deveria ficar na clínica por um período de um mês para o "desmame" de um medicamento, mas, após 21 dias, a família foi comunicada de que ele havia se engasgado e sido encaminhado ao Hospital Alzira Velano, em Alfenas. Segundo Marli, a morte encefálica do adolescente foi confirmada 18 dias depois. "Eles [equipe da clínica] me ligaram dizendo que ele havia engasgado com um pedaço de carne lá dentro e que ele tinha tido uma morte cerebral, já dando esse diagnóstico. Mas ele ficou vários dias internado. Quando eu pedi para saber mais detalhes, não quiseram passar", contou. Abalada, a família não prestou queixa contra a clínica, mas tem dúvidas sobre a causa da morte de adolescente. "Na época, eu tive que fazer um tratamento psicológico e não consegui fazer uma denúncia ou até mesmo procurar saber se realmente esse fato é o que havia acontecido, mas a gente ficou sempre nessa dúvida se realmente era esse o motivo da morte. Como que uma clínica deixa essas fatalidades acontecerem lá dentro? Não tinha um enfermeiro perto? A gente questionou muito isso", disse. Clínica foi escolhida por aceitar menor de idade Clínica psiquiátrica está proibidade de receber novos pacientes em Alfenas Bruna Romão / EPTV Antes de levar o adolescente para a clínica de Alfenas, a família, que é de Campo Belo (MG), estava tendo dificuldades para conseguir uma internação e tentou pelo menos outras três instituições, que não o aceitavam por conta da idade. Durante todo o período em que o adolescente ficou na clínica, Marli não teve contato com o neto e era informada da sua condição por meio de mensagens. Ela contou que ficou chocada quando viu as imagens do local, que foram divulgadas após a fiscalização e lembra que, em momento algum, foi permitido que ela entrasse nas dependências da instituição. "Enviaram para a gente fotos lindas da clínica, de um lugar muito bom, e um valor de R$ 4,5 mil para um internamento de 30 dias. E, quando eu pedi para visitar a clínica, mesmo quando a gente foi colocar ele lá, não foi permitido ver a clínica por dentro, ficamos na portaria. A gente viu só através de fotos. E, após a morte, eu voltei e também não me deixaram entrar", afirmou. Gabinete de crise A Prefeitura de Alfenas informou que, por orientação do Ministério Público e por entender ser extremamente necessário, instaurou um gabinete de crise para o acompanhamento da situação da clínica, conduzido com o apoio e a participação de Promotores de Justiça de Minas Gerais em uma atuação conjunta e integrada. O gabinete reúne representantes das secretarias municipais de Saúde e da Criança, da Vigilância Sanitária, da Assistência e dos Direitos Sociais, do Conselho Tutelar e do Conselho Municipal de Saúde. "Neste momento, estamos estabelecendo medidas e diretrizes para a avaliação individualizada das condições de cada paciente que ainda se encontra institucionalizado, tendo como objetivo principal assegurar a proteção, a dignidade, os direitos e a continuidade do cuidado de cada pessoa", afirmou a prefeitura por meio de nota. A administração municipal disse que também está acompanhando os pacientes que foram retirados da instituição e transferidos para hospitais da região, monitorando sua evolução e os encaminhamentos necessários para cada caso. Clínica está impedida de receber novos pacientes Clínica psiquiátrica de MG é interditada após MP encontrar condições insalubres Após a fiscalização, a clínica, que abrigava 137 pacientes, foi parcialmente interditada por determinação da Vigilância Sanitária, proibindo a admissão de novos pacientes. O médico administrador, apontado como um dos sócios da clínica, foi preso e encaminhado ao Presídio de Alfenas na quarta-feira (19) e liberado no mesmo dia após receber um alvará de soltura concedido pela Justiça. A defesa da clínica e dos seus responsáveis ainda não se manifestou sobre a interdição e as condições encontradas na instituição. Fiscalização resgata sete pessoas que viviam em condições insalubres em clínica de Alfenas Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) A clínica funciona há muitos anos em Alfenas. Em 2022, o estabelecimento firmou um contrato com a Prefeitura para serviços de internação compulsória e tratamentos psiquiátricos no valor de R$ 300 mil, que foi encerrado no ano seguinte. A fiscalização foi realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio de diversas promotorias, como Defesa dos Direitos Humanos, da Saúde e da Criança e do Adolescente, com apoio da Polícia Militar, Vigilâncias Sanitárias estadual e municipal, coordenadorias regionais de Defesa da Saúde e da Educação do Sul de Minas, e participantes de equipamentos da rede de atenção da saúde e de Assistência Social do município. Também compareceu à clínica um perito criminal. Segundo o MP, a inspeção foi planejada a partir de informações e denúncias sobre possíveis irregularidades na instituição. "Constantemente recebemos denúncias de possíveis irregularidades sobre o tratamento dispensado, não só em questão de saúde, mas sobre violações de Direitos Humanos e também de condições sanitárias das pessoas que estão lá internadas. Diante desta situação, foi realizada uma operação interinstitucional e, ao chegarmos lá, realmente foram constatadas situações graves", disse a promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Alfenas, Gisele Estela Martins Araújo. Fiscalização encontra condições insalubres em clínica de tratamento psiquiátrico em Alfenas Ministério Publico de Minas Gerais (MPMG) Pacientes foram transferidos Havia 137 pessoas institucionalizadas na clínica no dia da fiscalização. Entre elas estavam adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, pessoas com sofrimento mental e com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Durante a inspeção, sete homens foram retirados do local. Entre os pacientes que foram retirados, conforme registrado na ocorrência policial, uma pessoa foi encontrada lesionada em um ambiente com fiação elétrica exposta, presença de fezes e urina e sem cama para acomodação. Três homens foram levados ao Hospital Universitário Alzira Velano, em Alfenas, que informou que eles apresentam estados alterados de consciência e comportamento e estão limpos, bem alimentados, medicados e protegidos. Recebem visita médica duas vezes por dia, além de cuidados permanentes da enfermagem, assistência social, psicólogo e dentista hospitalar. Duas pessoas foram encaminhadas para o Hospital de Poço Fundo e seguem sem previsão de alta médica. Segundo a unidade de saúde, elas passaram por atendimento psicológico, clínico e psiquiátrico e estão sendo acompanhadas pela equipe de assistência social. Outros dois homens foram direcionados ao Hospital de Campestre, onde seguem internados. O estado de saúde deles não foi informado. 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