Buscas em galerias e no rio: como equipes tentam encontrar criança arrastada por enxurrada em MG
Vídeo mostra criança sendo resgatada por vizinho após cair em córrego; outra foi levada Uma força-tarefa formada por Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Pol...
Vídeo mostra criança sendo resgatada por vizinho após cair em córrego; outra foi levada Uma força-tarefa formada por Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e equipes da Prefeitura de Pouso Alegre atua, nesta sexta-feira (16), em diferentes frentes nas buscas por um menino de 7 anos que desapareceu após ser arrastado pela enxurrada durante as fortes chuvas que atingiram a cidade, no Sul de Minas, na tarde de quinta-feira (15). 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Segundo a Polícia Militar, três crianças de 7, 9 e 10 anos brincavam dentro de um córrego quando o volume de água subiu rapidamente. Duas conseguiram sair a tempo — uma delas foi resgatada por um vizinho. O momento foi registrado por uma câmera de segurança. A terceira criança foi levada pela correnteza e sugada por uma manilha de drenagem pluvial. Na operação desta sexta, nove militares participam das buscas, que incluem o uso de embarcação no rio, incursões em galerias subterrâneas e apoio de drone para monitoramento aéreo. A estratégia é concentrar os esforços em pontos com maior probabilidade de localização da vítima e dar mais agilidade aos trabalhos. Entenda mais abaixo. Bombeiros procuram por criança que teria caído em córrego durante chuva em Pouso Alegre, MG Câmera de segurança Buscas no “último ponto visto” De acordo com o Corpo de Bombeiros, o trabalho segue protocolos específicos para ocorrências em cursos d’água. A operação tem início no chamado “último ponto visto”, local onde a vítima foi observada pela última vez antes de desaparecer. “A gente começa a montante, desde o ponto onde tudo iniciou, e segue fazendo o percurso nos locais onde é possível a progressão de um militar”, explicou o major do Corpo de Bombeiros, Acácio Tristão Gouveia, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo. A partir desse ponto, as equipes realizam varreduras no interior das galerias de águas pluviais. O acesso ocorre por bocas de lobo, poços de visita e grades, permitindo a inspeção dos trechos internos da tubulação. Bombeiros procuram por criança que caiu em córrego durante chuva em Pouso Alegre Guto Moreira/EPTV Buscas subterrâneas Durante as buscas, os militares priorizam os chamados “pontos de interesse”, locais onde há maior chance de a vítima ficar retida dentro da galeria. “São áreas onde existem curvas, joelhos, estreitamentos da tubulação, degraus ou acúmulo de materiais. Tudo isso pode interromper o deslocamento da água e, consequentemente, da vítima”, explicou o major. Um dos principais pontos de atenção das equipes fica nas proximidades da Câmara Municipal, onde há um estreitamento da galeria. Segundo a Defesa Civil, esse tipo de estrutura aumenta a possibilidade de retenção de materiais e motivou o retorno das equipes para uma nova varredura no local. A identificação desses pontos conta com o apoio da Secretaria de Obras e das equipes responsáveis pela limpeza e manutenção das galerias, que conhecem a estrutura subterrânea da região. Paralelamente às buscas internas nas galerias, as equipes atuam nas margens e no leito do Rio Mandu. O ponto de referência é a saída da manilha onde a galeria deságua no rio. Bombeiros procuram por criança que caiu em córrego durante chuva em Pouso Alegre Guto Moreira/EPTV As equipes também concentram esforços nas chamadas áreas de remanso do rio — trechos onde a correnteza perde força e há maior acúmulo de galhos, pedras e outros obstáculos. Segundo os bombeiros, a experiência em ocorrências semelhantes mostra que esses locais têm maior probabilidade de retenção de corpos levados pela água. As buscas no rio são feitas a pé, pelas margens, e com uso de embarcação, quando as condições permitem. "A gente vê que a água do Rio Mandu é muito turva, é contraindicado o mergulho porque não seria efetivo, não teríamos visão, até mesmo pela questão da poluição. É um rio contraindicado, a balneabilidade dele não é indicada para nada. Então está tendo essas buscas por embarcação, por via terrestre, de forma marginal e nas galerias", explicou o capitão Cantelle. Condições climáticas Por questões de segurança, as atividades precisaram ser interrompidas temporariamente na noite de quinta-feira (15). Segundo os bombeiros, o volume de água nas galerias e a visibilidade reduzida no rio tornavam o trabalho arriscado naquele momento. De acordo com o capitão Cantelle, a interrupção foi pontual e ocorreu apenas enquanto uma das galerias estava alagada. Assim que o nível da água baixou e foi possível garantir a segurança das equipes, as buscas foram retomadas ainda durante a madrugada. Com isso, os militares conseguiram avançar cerca de 900 metros dentro das galerias pluviais desde o último ponto onde a criança foi vista. Chuvas provocam buscas complexas por criança desaparecida em Pouso Alegre Corpo de Bombeiros Por volta das 7h40, as buscas foram oficialmente divididas em três frentes estratégicas, segundo a Prefeitura de Pouso Alegre: Uma equipe do Corpo de Bombeiros atua diretamente no Rio Mandu; Outra frente, formada por bombeiros e servidores da prefeitura, trabalha na região das ruas Comendador José Garcia e João Basílio; A terceira equipe realiza buscas a partir do vertedouro, subindo no sentido da Avenida Vicente Simões e da Rua Comendador José Garcia. De acordo com o secretário de Segurança Pública de Pouso Alegre, Anderson Silveira, que também atua na coordenação da Defesa Civil, as buscas nas galerias abrangem cerca de 2,5 quilômetros de extensão, desde a Avenida São Francisco, próxima à Câmara Municipal, até o ponto onde a rede desemboca no Rio Mandu. Caso a criança não seja localizada nas galerias, a estratégia prevê a concentração total das buscas no Rio Mandu. A decisão será avaliada em conjunto pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil, dentro de um gabinete de crise que acompanha a ocorrência. A Defesa Civil informou que o monitoramento climático é feito em tempo real, com atualizações a cada 10 minutos. A possibilidade de novas chuvas exige cautela, já que a elevação repentina do nível da água pode tornar o trabalho nas galerias inseguro. Forças de segurança procuram por criança que teria caído em córrego durante chuva em Pouso Alegre, MG Wagner Silva/EPTV Apoio à família Segundo a Prefeitura de Pouso Alegre, a ocorrência é tratada como prioridade máxima. Além das buscas, equipes das Secretarias de Políticas Sociais e de Saúde prestam apoio psicológico e social à família da criança. A Polícia Militar acompanha os familiares desde o início da ocorrência. Mesmo com o passar das horas, os bombeiros afirmam que nenhuma hipótese é descartada. “As chances vão diminuindo com o tempo, mas a gente sempre trabalha considerando todas as possibilidades”, afirmou o major. Até o momento, três equipes da Companhia Independente de Pouso Alegre seguem empenhadas na operação, sem necessidade de reforço de outros batalhões. Equipes buscam criança que desapareceu em enxurrada em Pouso Alegre Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas