Entenda por que casal não foi condenado por homicídio na morte de jovem em Juiz de Fora; corpo foi carregado em mala e queimado
Caso Brunna Letycia: Casal é condenado após mais de 20 horas de júri em Juiz de Fora Herick Dornelas e Renata Alexandre Santana foram condenados a 8 e 9 anos...
Caso Brunna Letycia: Casal é condenado após mais de 20 horas de júri em Juiz de Fora Herick Dornelas e Renata Alexandre Santana foram condenados a 8 e 9 anos de prisão pela morte da jovem Brunna Letycia Vicente Alves de Souza Leonel, em Juiz de Fora, após a Justiça desclassificar a acusação de homicídio para lesão corporal seguida de morte e ocultação de cadáver. A sentença foi publicada depois de dois dias de julgamento, finalizado na noite de sexta-feira (17). Eles respondiam por homicídio qualificado, por motivo torpe, por meio de asfixia e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além ocultação de cadáver. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Homicídio foi desclassificado Ao definir as penas, a juíza Joyce Souza de Paula levou em conta que Herick e Renata admitiram, de forma espontânea, ter participado da ocultação do corpo. Por isso, os dois tiveram a punição reduzida em parte nesse crime. Já em relação à agressão que terminou na morte da vítima, considerada a acusação mais grave do caso, a redução foi aplicada apenas a Herick. Segundo a decisão, Renata não confessou envolvimento nas agressões. Na prática, os jurados entenderam que houve agressões que causaram a morte da vítima, mas não reconheceram intenção de matar, elemento necessário para a condenação por homicídio doloso. Com isso, o caso deixou de ser tratado como crime contra a vida e passou a ser enquadrado no artigo 129, parágrafo 3º, do Código Penal, que prevê punição para situações em que a agressão resulta em morte. O que muda na pena? A mudança de tipificação impacta diretamente a punição. Crimes de homicídio qualificado têm penas mais altas do que a lesão corporal seguida de morte. Após a decisão dos jurados, coube à juíza Joyce Souza de Paula fixar as penas: Herick Dornelas: 8 anos de prisão Renata Alexandre Santana: 9 anos de prisão Confissão influenciou cálculo da pena Na sentença, a magistrada considerou que os dois admitiram participação na ocultação do cadáver, o que reduziu parte da pena nesse crime. Já no caso das agressões que resultaram na morte de Brunna, a redução foi aplicada apenas a Herick, porque Renata não confessou participação nas agressões, segundo a decisão. Júri Popular com sete jurados O crime aconteceu em janeiro de 2024, no apartamento do casal, no bairro Previdenciários. De lá, a vítima foi carregada dentro de uma mala e carbonizada no bairro Milho Branco. Sete jurados participaram do júri popular. No primeiro dia, foram ouvidas testemunhas, entre elas o porteiro e o síndico do prédio onde o crime aconteceu. Já na sexta-feira, após os debates entre acusação e defesa, a sentença foi deferida. Herick Dornelas e Renata Sant'Ana confessaram que mataram e colocaram corpo de jovem em mala Reprodução/Facebook Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Renata está desde 5 de janeiro de 2024 na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Juiz de Fora. Já Herick está no Ceresp de Juiz de Fora desde 14 de agosto do mesmo ano. Os dois vão cumprir a pena em regime fechado. O julgamento tinha sido marcado para novembro do ano passado, mas foi adiado depois que Renata Alexandre apresentou suspeita de tuberculose. Corpo foi enrolado em um cobertor Conforme as investigações da Polícia Civil, a vítima teria sido morta após uma crise de ciúmes. Câmeras de monitoramento do prédio flagraram os dois saindo do apartamento com o corpo da vítima dentro da mala. No vídeo, é possível ver Herick carregando a mala com o corpo de Brunna dentro e um cobertor por cima. Casal que matou jovem colocou o corpo dentro de mala para sair de prédio em Juiz de Fora Renata acompanhou o companheiro, chamou o elevador e também o carro por aplicativo, que os levaram até o bairro Milho Branco. Em depoimento, Renata contou que teve um relacionamento íntimo com Brunna em 2023. No dia 2 de janeiro de 2024, chamou a jovem para beber em casa com ela e o marido. Por ciúmes um do outro, o casal começou a discutir. A vítima chegou a ligar para amigos irem buscá-la durante a confusão, mas Erick tomou o celular dela e a esganou. Brunna Letycia, jovem morta em Juiz de Fora Reprodução/Instagram Durante o processo, a defesa de Renata apresentou pedido de reconhecimento de insanidade mental, sob a alegação de que ela tem transtornos psiquiátricos. Contudo, tal condição não foi comprovada pela perícia técnica . SAIBA MAIS SOBRE O CASO: Laudo confirma que jovem morta por casal e carregada em mala foi asfixiada em Juiz de Fora Um ano depois, caso de jovem esganada por casal, carregada em mala e queimada aguarda solução judicial em Juiz de Fora Casal acusado de esganar, carregar corpo em mala e queimar jovem vai a júri popular em Juiz de Fora VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes