Governo de MG afirma que transbordamento em mina causou danos ambientais e Vale será autuada
Imagens de drone mostram área tomada por água com sedimentos que transbordou de estrutura O governo de Minas Gerais afirmou, na noite desta segunda-feira (26)...
Imagens de drone mostram área tomada por água com sedimentos que transbordou de estrutura O governo de Minas Gerais afirmou, na noite desta segunda-feira (26), que foram identificados danos ambientais decorrentes do transbordamento de uma cava da Mina de Fábrica, da Vale, entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central do estado, no domingo (25). No mesmo dia, outra unidade da Vale, a Mina Viga, em Congonhas, registrou extravasamento de água. A mineradora será autuada. A Prefeitura de Congonhas suspendeu os alvarás da Mina Viga e informou que está em contato com o município de Ouro Preto para que a mesma medida seja adotada em relação à Mina de Fábrica. "Essa suspensão é uma medida que impede algumas atividades econômicas realizadas pela empresa, como a emissão de notas fiscais dentro dessas minas. [...] A condicionante que nós colocamos para o retorno das atividades são várias medidas de compensação ambiental", afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas, João Luís Lobo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Segundo o governo do estado, houve carreamento de sedimentos e assoreamento de cursos d’água afluentes do Rio Maranhão. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) determinou que a Vale cumpra medidas emergenciais como limpeza do local afetado e monitoramento do curso d’água atingido. A empresa também terá de elaborar um plano de recuperação ambiental. Ainda de acordo com o governo de MG, a mineradora será autuada por: intervenção que resulte em poluição, degradação ou danos aos recursos hídricos, às espécies vegetais e animais, aos ecossistemas e habitats ou ao patrimônio natural ou cultural, ou que prejudique a saúde, a segurança e o bem-estar da população; deixar de comunicar a ocorrência de acidente com danos ambientais, em até duas horas, contadas do horário em que ocorreu o acidente. O g1 questionou a Vale sobre os danos ambientais e as autuações, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Duas ocorrências no mesmo dia Vídeo mostra homem ilhado em almoxarifado da CSN após estrutura da Vale transbordar Segundo a mineradora, a ocorrência na Mina de Fábrica, na madrugada de domingo, teve relação com as chuvas. Uma das cavas da mina – uma espécie de "buraco" resultante da extração de minério de ferro – acumulou água e transbordou. Uma unidade da CSN foi atingida. Um vídeo mostra o momento em que o almoxarifado da CSN, na unidade Pires, começou a inundar. Um trabalhador disse que estava ilhado (veja acima). Ninguém se feriu. De acordo com o vice-presidente executivo técnico da Vale, Rafael Bittar, como parte do plano de preparação para as chuvas, a mineradora tinha implantado uma proteção temporária perto de um bueiro por onde a água da cava passa. "Com as chuvas que ocorreram, esse nível subiu tão rápido que acabou passando por essa proteção que existia nesse bueiro, fazendo com que houvesse uma liberação de água não controlada pelo próprio bueiro. Então, o excesso de água acabou descendo, essa água acaba gerando uma enxurrada", explicou Bittar. Conforme a empresa, não houve carreamento de rejeitos de mineração, e sim de água com sedimentos. "Não houve contaminação de rio, não houve transporte de rejeito para rio. [...] Essa cava acumulava um pouco de rejeito, ela foi licenciada para dispor rejeito em uma outra porção, que não foi a porção que teve essa saída de água, e o rejeito fica sedimentado ali. Foi a água superficial da cava que acabou fluindo pelo bueiro de maneira não controlada", afirmou Bittar. Também neste domingo, uma ocorrência de extravasamento de água foi registrada em outra unidade da Vale, a Mina Viga, em Congonhas. No local, houve transbordamento de água no sump, uma estrutura de drenagem. "Dentro do plano de chuva você cria pequenas bacias, que são buracos que a gente escava, para poder reter água e evitar que a água escoe com muita velocidade. Como a chuva excedeu essas bacias, acabou que gerou um grande volume. [...] Tivemos ali uma chuva concentrada, cerca de 100, 110 mm, em pouquíssimas horas. Foi exatamente em cima da área industrial nossa", disse Rafael Bittar. ANM diz que barragens não foram comprometidas Em nota, a A Agência Nacional de Mineração (ANM) afirmou que não houve ruptura, colapso ou comprometimento de estruturas de barragens ou pilhas de mineração nas ocorrências registradas em áreas da Vale. Comunidades não foram atingidas. "No Complexo Mina de Fábrica, o evento esteve associado a infraestrutura instalada em área da operação, sem caracterização de falha estrutural em barragens ou pilhas de mineração. Na mina Viga, foi registrado extravasamento de água no sump (estrutura de drenagem). Equipes de fiscalização estão no local das ocorrências, sem registro de bloqueio de vias ou de atingimento de comunidades", afirmou a Agência. Ainda segundo a ANM, as duas situações são acompanhadas por equipes técnicas, com verificação das condições de funcionamento das estruturas envolvidas e das medidas adotadas pela empresa. Reservatório da Vale, em Congonhas, se rompe e atinge área da CSN Reprodução LEIA TAMBÉM: Reservatório da Vale, em Congonhas, transborda e atinge área da CSN Novo vazamento de água é registrado em outra mina da Vale em Congonhas em menos de 24 horas Imagens de drone mostram área tomada por água com sedimentos que transbordou de estrutura da Vale Vídeos mais vistos no g1 Minas: