cover
Tocando Agora:

História de 'Quarto de Despejo', da escritora mineira Carolina Maria de Jesus, ganhará versão para o cinema

Livro “Quarto de Despejo” será adaptado para o cinema Quarto de despejo é um lugar onde as pessoas deixam aquilo que não querem mais, que não são útei...

História de 'Quarto de Despejo', da escritora mineira Carolina Maria de Jesus, ganhará versão para o cinema
História de 'Quarto de Despejo', da escritora mineira Carolina Maria de Jesus, ganhará versão para o cinema (Foto: Reprodução)

Livro “Quarto de Despejo” será adaptado para o cinema Quarto de despejo é um lugar onde as pessoas deixam aquilo que não querem mais, que não são úteis ou que simplesmente não querem às vistas. O nome, escolhido pela escritora mineira Carolina Maria de Jesus para descrever a realidade na qual estava inserida na Favela do Canindé (SP), ainda reúne fome, miséria, preconceito e o cotidiano sofrido descrito nas páginas do diário de uma favelada. O livro “Quarto de Despejo” ganhará uma adaptação para o cinema nacional em 2026, com direção de Jeferson De e promete trazer toda a dramatização e sutileza da história para as telonas. No elenco, entre outros, estão confirmados Fábio Assunção, Caio Manhente e Maria Gal, que interpretará Carolina. “É no cinema onde nos aprofundamos em emoções, rimos, choramos, nos apaixonamos. É o lugar dos grandes sonhos, por isso, convido à todos para prestigiarem a obra de Carolina nos cinemas em 2026”, contou o diretor Jeferson De. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp Um retrato das mulheres retintas brasileiras Maria Gal como Carolina Maria de Jesus Mariana Vianna Para a atriz Maria Gal, qualquer pessoa preta que se depare com o diário de Carolina vai se lembrar de suas mães, tias, avós ou tantas outras mulheres chamadas de batalhadoras em um Brasil marcado pela desigualdade. São histórias separadas pelo tempo mas que se encontram no quarto de despejo que ainda mantém inúmeros reféns. “Eu vejo Carolina Maria de Jesus como uma ancestral para nós, mulheres e pessoas negras, uma dessas mulheres que, há muitos anos, rompem barreiras e pavimentam o caminho onde estamos agora. Maria Gal e Carolina se encontram justamente nesse espaço desafiador: o de poder fazer e realizar, com dignidade, o próprio propósito de vida”, disse a protagonista. A escritora, que enfrentou e superou obstáculos profundos, como o racismo, o machismo e a fome, rompeu barreiras que pareciam intransponíveis e abriu portas para que outras mulheres negras pudessem existir, criar e ocupar espaços de forma plena. Sua obra segue atemporal e também se tornará samba enredo da Escola Unidos da Tijuca, no Carnaval de 2026. “Onde estão esses corpos negros? A invisibilidade simbólica é tão cruel quanto a física, porque nos rouba a vontade de sonhar. Eu mesma já quis desistir muitas vezes, já tive zero reais na conta, mesmo depois de algumas participações em produções”, diz Maria Gal. “Carolina - Quarto de Despejo”, título escolhido para o longa, busca o protagonismo negro retinto, tanto na frente quanto atrás das câmeras. Um espaço onde os corpos apareçam com livros nas mãos, e não armas, onde possam existir de forma plena, digna e visível. O longa conta com roteiro de Maíra Oliveira, produção de Clélia Bessa, Move Maria, Raccord Produções e Buda Filmes, com coprodução da Globo Filmes. O objetivo principal do diretor do filme é é levar não apenas a potência de Carolina para os cinemas, mas também a complexidade de uma mulher apedrejada por sua própria comunidade que a via como diferente, a frente do seu próprio tempo e sedenta por algo que todo ser humano luta para ter: dignidade. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Frentista é arrastada pelos cabelos por ex-namorado em posto de Uberlândia Esposa obrigada a se prostituir para bancar vício do marido pede socorro em lava a jato Agressor que arrastou esposa pela rua tem várias passagens pela polícia Diário de uma favelada Carolina Maria de Jesus em 1958 na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, onde viveu até lançar 'Quarto de Despejo' Divulgação Nascida em Sacramento, no Alto Paranaíba, Carolina se mudou para São Paulo onde trabalhou como catadora de papel para poder criar os filhos João José, José Carlos e Vera Eunice. De maneira objetiva, entre os anos de 1955 e 1960, a mulher que se autodenomina “favelada” usa do seu pouco tempo livre para se dedicar ao diário e contar sobre os seus dramas cotidianos. São nas páginas do diário que Carolina se mostra por inteiro e despeja seus pensamentos que não podem transbordar pela boca e se indigna com a realidade na qual está inserida. A autora vai contra tudo o que o Brasil da época queria mostrar e escancara as paredes roídas do quarto de despejo que são as periferias. “Meu sonho é sair daqui”, diz Carolina por diversas vezes em seu diário. A rotina de Carolina começou a ganhar visibilidade em 1958, quando o jornalista Audálio Dantas esteve na favela do Canindé para uma reportagem e descobriu que ela registrava o cotidiano em cadernos recolhidos do lixo. Impressionado pela força dos relatos, Dantas passou a publicar trechos do diário em reportagens da Folha da Noite, o que despertou grande interesse do público e abriu caminho para a edição de "Quarto de Despejo" dois anos depois. O lançamento, em 1960, mudou a vida de Carolina Maria de Jesus. Com o sucesso imediato do livro, que se tornou um best-seller no Brasil e no exterior, ela conseguiu comprar uma casa de alvenaria no bairro Santana, na Zona Norte de São Paulo. A mudança marcou o fim de mais de uma década vivendo no barraco de madeira que ela própria construiu na favela do Canindé. Na época, Carolina chegou a vender cerca de 3 mil exemplares por dia e participou de eventos de lançamentos no Brasil e na América Latina, porém, o nome da escritora ainda é pouco conhecido fora da bolha negra. Por isso, Maria Gal afirma: "É urgente que o país conheça muito mais a Carolina". VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Autora mineira ganha filme em 2026 Mariana Vianna

Fale Conosco