Pesquisa realizada em MG pode ajudar na conservação de espécies como bugios-pretos
Pesquisa realizada em MG pode ajudar na conservação de espécies como bugios-pretos Uma pesquisa realizada no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Si...
Pesquisa realizada em MG pode ajudar na conservação de espécies como bugios-pretos Uma pesquisa realizada no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Patos de Minas mostrou que a adoção de um filhote órfão de bugio-preto (Alouatta caraya) por um casal adulto pode contribuir para a conservação da espécie. Segundo as pesquisadoras, o resultado pode melhorar o manejo de filhotes órfãos e aumentar as chances de reintrodução desses animais na natureza. O casal de bugios havia sido formado pouco tempo antes no próprio Cetras. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp O estudo foi desenvolvido em parceria com o Cetras pela bióloga Izabela de Lima Costa e pela doutora Elisa Queiroz Garcia. Segundo elas, há poucos registros científicos desse tipo de adoção entre bugios em programas de reabilitação. Evidências do estudo Antes da aproximação com o filhote, as pesquisadoras acompanharam o comportamento do casal durante 24 dias por meio de câmeras trap. 🔎Câmeras trap são equipamentos acionados por movimento que registram imagens dos animais automaticamente. O sistema permite observar o comportamento da fauna sem interferência humana. Depois desse período, o filhote passou a conviver gradualmente com os adultos até permanecer de forma definitiva com eles. Todo o processo foi registrado e analisado pelas pesquisadoras. As principais preocupações eram que o macho enxergasse o filhote como um competidor e que a fêmea não demonstrasse comportamento de cuidado parental. "Os resultados mostraram o contrário do que temíamos. O casal passou a aceitar o filhote e demonstrou comportamentos compatíveis com uma estrutura familiar natural", explica Izabela. Nos primeiros dias, houve disputas por espaço, comportamento considerado esperado nesse tipo de interação. Com o passar do tempo, os registros mostraram os três animais próximos, com contato físico, catação (comportamento em que um primata limpa os pelos do outro) e cuidados semelhantes aos de uma família. "Foi emocionante perceber, durante as análises, que o casal começou a aceitar o filhote. Ver os primeiros comportamentos de aproximação, o contato corporal e, depois, os cuidados parentais surgindo naturalmente foi marcante." A importância da descoberta A fêmea em interação com o filhote Cetras/Divulgação Na natureza, os bugios vivem em grupos e aprendem habilidades essenciais para a sobrevivência, como encontrar alimento, reconhecer perigos e se comunicar. Segundo Izabela, filhotes criados isoladamente podem não desenvolver esses comportamentos, o que reduz as chances de sobrevivência após a soltura. O estudo mostrou que a convivência com outros bugios favorece esse aprendizado e pode tornar a reintrodução na natureza mais segura. Os resultados também poderão servir de referência para programas de reabilitação de outras espécies de primatas. "Esse estudo mostra que a conservação vai além de simplesmente resgatar um animal. Cada indivíduo possui necessidades comportamentais e sociais que precisam ser consideradas para que ele tenha condições reais de retornar à natureza." Após o período de reabilitação, o casal e o filhote foram soltos juntos, formando um grupo social estável. Segundo Izabela, esse foi um dos momentos mais importantes da pesquisa e reforça os impactos das ações humanas sobre a fauna. Observar é fundamental Equipe do Cetras Patos de Minas (E), a doutora Elisa Queiroz Garcia e a bióloga Izabela Costa Cetras/Divulgação Para a bióloga, a pesquisa pode aumentar as chances de reintrodução de filhotes órfãos, desde que todo o processo seja acompanhado de perto. "É importante acompanhar, existem casos registrados de primatas que lincham ou atacam letalmente um membro do próprio grupo, são raros, mas foram documentados na natureza". Izabela explica que o conhecimento obtido poderá servir de referência para protocolos de manejo de outras espécies de primatas atendidas em centros de reabilitação, contribuindo para a conservação da fauna silvestre brasileira. "Os resultados indicam que a inserção de filhotes órfãos em grupos da mesma espécie pode representar uma alternativa extremamente promissora para a reabilitação desses animais", finaliza. LEIA TAMBÉM: VÍDEO Macaquinha da Mata do Ipê é internada para avaliação clínica Veja como aproveitar a do aniversário de 206 anos de Uberaba Veja o que abre e fecha durante o feriado municipal VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas c